Abertura
A SANS Institute anunciou, na manhã de 8 de outubro, a publicação de uma atualização abrangente do script FOR577, focada na investigação de atividades de agentes de inteligência artificial em processos de resposta a incidentes. A nova versão traz material adicional para o quinto dia de treinamento, detalhando a análise de oito assistentes de codificação amplamente adotados, entre eles Claude Code, Codex, Gemini CLI, Cursor, Copilot, Warp, Windsurf e Qwen Code. Além disso, o autor do material relata experimentos recentes com OpenCode e a configuração de um agente chamado Hermes, buscando mapear históricos de chat e possíveis vestígios de uso.
Contexto
A crescente adoção de assistentes de IA para geração de código tem transformado a rotina de desenvolvedores e, simultaneamente, introduzido novos vetores de risco para equipes de segurança. Ferramentas como Copilot e Gemini CLI são integradas diretamente em ambientes de desenvolvimento integrado, facilitando a inserção de trechos de código sugeridos por modelos de linguagem. No entanto, a falta de transparência sobre como esses modelos armazenam e processam dados de entrada pode gerar desafios para auditorias forenses. Nesse cenário, a SANS Institute, reconhecida por seus programas de treinamento em cibersegurança, decidiu ampliar seu repertório didático para incluir procedimentos específicos de coleta e análise de evidências relacionadas a esses agentes.
Impacto
A atualização do FOR577 tem potencial de impactar organizações que já utilizam assistentes de IA em seus fluxos de desenvolvimento, bem como equipes de resposta a incidentes que precisam identificar possíveis abusos ou comprometimentos associados a essas ferramentas. Ao disponibilizar scripts que permitem rastrear históricos de chat, arquivos temporários e logs de interação, a SANS oferece um caminho para detectar inserções maliciosas de código gerado por IA, bem como para compreender a extensão de uso interno de tais assistentes. Empresas de setores regulados, como financeiro e saúde, podem se beneficiar ao incorporar esses procedimentos em seus planos de resposta, reduzindo a exposição a vulnerabilidades introduzidas inadvertidamente por sugestões automatizadas.
Detalhes técnicos
O material adicionado ao dia cinco do treinamento descreve, de forma prática, como localizar e analisar artefatos gerados por cada um dos oito assistentes citados. Para Claude Code e Codex, por exemplo, são indicados caminhos de diretórios onde são armazenados caches de sessões e arquivos de configuração que podem conter trechos de código sugeridos. No caso do Gemini CLI, o foco recai sobre logs de terminal que registram chamadas de API ao modelo de linguagem. Cursor e Warp, por sua vez, mantêm bancos de dados locais que registram histórico de edições, exigindo a extração cuidadosa para evitar contaminação de evidências. Windsurf e Qwen Code apresentam mecanismos de sincronização em nuvem, demandando a captura de tráfego de rede para identificar transferências de dados sensíveis. Quanto ao OpenCode, o autor relata ter investigado a localização do histórico de chat, encontrando arquivos JSON em diretórios temporários do usuário. Já o agente Hermes, ainda em fase de implantação, requer a verificação de arquivos de configuração específicos que apontam para endpoints de comunicação externa. Cada procedimento inclui comandos de linha de comando para listar, copiar e hash de arquivos, facilitando a preservação da cadeia de custódia.
Encerramento
Até o momento, a SANS Institute não divulgou métricas de adoção dos novos scripts, mas a inclusão de casos práticos com ferramentas emergentes indica um esforço contínuo de adaptação às tendências de desenvolvimento assistido por IA. Organizações interessadas devem considerar a incorporação desses procedimentos em seus playbooks de resposta a incidentes, bem como promover treinamentos internos para que analistas estejam aptos a identificar e preservar evidências de uso de assistentes de IA. A fonte original da atualização permanece o site da SANS ISC, onde o material completo pode ser acessado por profissionais inscritos nos cursos de certificação.

